Talibã: "Mulheres precisam fazer filhos e não ser ministras"


Porta-voz do grupo extremista também desdenhou dos protestos diários feitos por afegãs contra o novo regime imposto

Um dos porta-vozes do grupo fundamentalista islâmico Talibã, Sayed Zekrullah Hashim, voltou a atacar os direitos das mulheres durante uma entrevista à emissora afegã "ToloNews" na noite desta quinta-feira (9) e disse que elas "não podem ser ministras" porque "precisam fazer filhos". Além disso, desdenhou dos protestos diários feitos por elas em diversas cidades do país.

Na entrevista, o apresentador questiona Hashim sobre qual o motivo de nenhuma mulher ter sido indicada no governo provisório. Após uma discussão, com Hashim dizendo "por que nós teríamos mulheres no governo?" e o apresentador reforçando que elas representam "metade da população" do país, o representante responde de maneira misógina.

 LEIA TAMBÉM: Promotores de Brasília pedem a prisão de nove ministros do STF

Sucesso das manifestações dá a Bolsonaro carta branca para tomar grandes decisões

Esquerdista que ia protestar contra Bolsonaro é preso com faca, soco inglês e coquetel motolov no RJ

Aguinaldo Ribeiro deputado federal chamou de facções todos que foram para as manifestações dia 7 de Setembro

Alexandre de Moraes mandou a PF prender Zé Trovão para induzir caminhoneiros a entrar em greve e prejudicar a economia do Brasil

"Nós não consideramos elas metade da população. Que metade da população? A metade aqui está mal definida. A medida aqui diz que você põe elas lá, e nada mais. E se você viola o direito dela, isso não é um problema. Vou te dar um exemplo, nos últimos 20 anos, qualquer coisa que foi dito por essa mídia, pelos EUA e seu governo de marionetes no Afeganistão não foi mais do que prostituição nos gabinetes", disse o representante.

Nesse momento, o apresentador interrompe o porta-voz e diz que ele não pode acusar que as mulheres que trabalharam no governo durante os últimos anos de serem prostitutas, e Hashim o corta e começa a falar sobre outro assunto, os protestos diários feitos em diversas cidades.

"Não estou falando de todas as mulheres afegãs, mas as quatro que estão nas ruas não representam as mulheres do Afeganistão. As mulheres do Afeganistão são aquelas que fazem nascer as pessoas no Afeganistão, educam eles e educam eles na ética islâmica", acrescenta.

Novamente interrompido pelo apresentador, visivelmente irritado com as respostas do representante, ele questiona o que há de tão ruim em uma mulher ser ministra do país. "Pergunte a você mesmo", responde. O jornalista então devolve "Mas, por que não?".

"Eu vou dizer pra você porque não. O que a mulher faz, ela não pode ter o trabalho de ministro. Você coloca algo no pescoço dela que ela não pode carregar", concluiu.

Nenhum comentário

'; (function() { var dsq = document.createElement('script'); dsq.type = 'text/javascript'; dsq.async = true; dsq.src = '//' + disqus_shortname + '.disqus.com/embed.js'; (document.getElementsByTagName('head')[0] || document.getElementsByTagName('body')[0]).appendChild(dsq); })();