Talibã controla 65% do Afeganistão após capturar capitais provinciais



Autoridade da União Europeia fez alerta sobre o rápido avanço das forças insurgentes em meio à retirada de tropas estrangeiras

Insurgentes do Talibã aumentaram seu controle sobre territórios capturados do Afeganistão nesta terça-feira (10) e uma autoridade da União Europeia disse que agora os militantes controlam 65% do país após uma série de avanços súbitos que coincide com a retirada de forças estrangeiras.

Durante a madrugada, forças talibãs tomaram a capital da província de Baghdan, Pul-e Khumri, que fica 200 km ao norte de Cabul. Essa foi a oitava sede de governo provincial a ser dominada pelo grupo em apenas cinco dias.

O presidente Ashraf Ghani pediu que líderes regionais apoiem seu governo, e uma autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) disse que as conquistas de direitos humanos obtidas nos últimos 20 anos transcorridos desde que os islâmicos radicais foram depostos correm risco de ser anuladas.

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Pedido de ajuda

Na capital Cabul, assessores de Ghani disseram estar pedindo ajuda de milícias regionais com as quais ele se desentendeu ao longo dos anos para que se unam na defesa do governo. O governo também apelou para que os civis defendam o "tecido democrático" do Afeganistão.

Na cidade de Aibak, capital da província de Samangan situada na estrada principal entre Mazar-i-Sharif, uma cidade do norte, e a capital Cabul, combatentes do Talibã estavam consolidando seu controle e ocupando edifícios governamentais, disseram moradores.

A maioria das forças de segurança do governo parecia ter se retirado.

"A única maneira é a prisão domiciliar autoimposta, ou encontrar uma maneira de partir para Cabul", disse Sher Mohamed Abbas, uma autoridade tributária provincial, ao ser indagado sobre as condições de vida em Aibak.

"Mas nem Cabul é uma opção segura mais", acrescentou Abbas, o único provedor de uma família de nove integrantes.

Abbas disse que talibãs foram ao seu escritório e mandaram os funcionários para casa. Ele e outros moradores disseram que nem viram, nem ouviram combates nesta terça-feira.

Durante anos, o norte foi a parte mais pacífica do país, contando com uma presença mínima do Talibã.

A estratégia dos militantes parece ser rumar para o norte, além das principais passagens de fronteira da região, do oeste e do sul, e depois se aproximar de Cabul.

O Talibã, que luta para derrotar o governo apoiado pelos Estados Unidos e reinstaurar a lei islâmica rígida, chegou a Aibak na segunda-feira e encontrou pouca resistência.

Atualmente, as forças do grupo controlam 65% do território afegão, estão ameaçando tomar 11 capitais provinciais e tentando privar Cabul de seu apoio tradicional de forças nacionais do norte, disse uma autoridade graduada da UE nesta terça-feira.

O governo retirou forças de distritos rurais difíceis de defender para se concentrar na preservação de grandes centros populacionais, e autoridades pedem pressão no vizinho Paquistão para que este impeça que reforços e suprimentos atravessem a fronteira porosa. O Paquistão nega estar apoiando o Talibã.

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