Presidente Bolsonaro quer zerar imposto federal do diesel a partir de 2022



"Temos que buscar maneiras de reduzir o máximo possível", declarou o presidente

Em recado aos caminhoneiros, o presidente da República, Jair Bolsonaro, reafirmou que estuda a possibilidade de reduzir a zero o imposto federal sobre o óleo diesel a partir de 2022. Bolsonaro deixou a pauta sobre o voto impresso auditável de lado, em conversa com apoiadores no período da manhã, e decidiu focar apenas na questão do combustível, outro tema recorrente nas falas do presidente.

– Sabemos que o combustível está [com] um preço, no meu entender, caro. Temos que buscar maneiras de reduzir o máximo possível. Eu não gosto de falar em promessas, mas eu gostaria de zerar o imposto federal do diesel a partir do ano que vem. Não posso garantir que será feito; digo, não é uma promessa, é um estudo – disse Bolsonaro a representantes da categoria presentes na saída do Palácio da Alvorada, onde tradicionalmente ele conversa com apoiadores.

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As declarações foram divulgadas em um vídeo publicado nesta sexta-feira (6) por site simpático ao presidente. Parte da fala de Bolsonaro sobre o tema foi gravada nesta sexta e a outra parte refere-se a uma conversa, na quarta-feira (4), com seus apoiadores, quando Bolsonaro disse que a equipe econômica encontrou um meio de substituir a arrecadação perdida com eventual retirada dos tributos sobre o diesel.

– Tem que ter uma fonte alternativa para compensar. Acho que ontem apareceu uma luz para a gente zerar a partir de janeiro do ano que vem. Não vou garantir. […] Nós reconhecemos o trabalho dos caminhoneiros não só durante a pandemia, bem como em outros momentos. Vocês são essenciais para transportar nossas riquezas pelos quatro cantos do Brasil – declarou o presidente no trecho da gravação do dia 4.

O chefe do Executivo voltou a responsabilizar governos estaduais pelo elevado valor dos combustíveis, cujo aumento, segundo ele, deve-se à cobrança do ICMS nos preços dos fretes e às margens de lucro dos postos.

– Reconhecemos a dificuldade financeira dos estados, mas, acima do Estado, da União, está o povo que nos mantém. Quando a gente reduz [o preço do combustível] na refinaria, na bomba não diminui – completou.

Os homens que se apresentaram como caminhoneiros na saída do Alvorada endossaram a tese do presidente e o eximiram de responsabilidade pelo alto preço do diesel. Bolsonaro aproveitou para estender a crítica aos governadores pela elevação do custo do gás de cozinha, com base nas mesmas justificativas dadas para a subida do valor dos combustíveis.

– O gás de cozinha, nós resolvemos na parte federal. No início do ano, nós zeramos todo e qualquer imposto para gás de cozinha. Hoje, na refinaria, lá na ponta da linha, no início, [o gás] tá na ordem de R$ 45 reais, e [em] alguns locais chega a R$ 110. [Isso] É um absurdo. Então, digo a vocês, R$ 45, o que soma, agrega preço no gás muito até o final da linha? É o frete, é quanto, na ponta da linha, ali, o vendedor cobra, e o imposto estadual, o ICMS – justificou.

Desde a greve realizada pela categoria em maio de 2018 contra o aumento do preço dos combustíveis, há ameaças de nova paralisação devido, entre outros fatores, à política da Petrobras de reajustar os valores dos combustíveis de acordo com a flutuação da commodity no mercado internacional. Para agradar os caminhoneiros, que é um dos setores da base eleitoral de Bolsonaro, o assunto já motivou a demissão de Roberto Castello Branco da presidência da estatal.

*AE

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