Novo presidente de esquerda do Peru muda postura sobre Venezuela e minimiza protestos em Cuba



A chegada do esquerdista Pedro Castillo à presidência do Peru antevê uma mudança de posição do país sobre a Venezuela, com uma aproximação do país fundador do Grupo de Lima da órbita do Grupo de Contato Internacional, que busca uma solução baseada no diálogo para a crise venezuelana.

Esse cenário foi sugerido nesta segunda-feira (2) pelo novo ministro das Relações Exteriores do Peru, Héctor Béjar, que disse que a política do novo governo será contra sanções unilaterais e bloqueios, em referência às restrições impostas pelos Estados Unidos contra a ditadura de Nicolás Maduro.

"A Venezuela é um país que está bloqueado. Contribuiremos com os países da Europa, que já estão trabalhando nisso, e com um grupo de países latino-americanos, para compreender as diversas tendências políticas existentes na Venezuela, sem intervir em sua política interna", afirmou.

"Favoreceremos uma renovação democrática na Venezuela que respeite os direitos sociais dos venezuelanos", acrescentou o novo chanceler peruano em entrevista após receber o comando da pasta de seu antecessor, Allan Wagner.

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Desconhece representante de Guaidó

Quanto ao futuro do Grupo de Lima, promovido há cinco anos pelo ex-presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018) para reunir um grupo de países americanos que consideram Maduro um presidente ilegítimo, Béjar destacou que já existem vários países nesta organização que mudaram de postura em relação à Venezuela.

"O Grupo de Lima tem parceiros que mudaram sua política, e seus pontos de vista são diferentes. Vamos falar com eles sobre seus pontos de vista", afirmou.

Perguntado sobre se ele planeja se encontrar com Carlos Scull, nomeado como representante do líder da oposição venezuelana Juan Guaidó no Peru, Béjar disse que não o conhece.

"Não sei quem é esse homem. Não o conheço", declarou Béjar, um ex-guerrilheiro de 85 anos que conheceu Ernesto 'Che' Guevara em Cuba e foi um dos fundadores do Exército de Libertação Nacional (ELN) do Peru antes de ser preso em 1966 e ficar na cadeia por quase cinco anos.

Ao comentar seu recente encontro com o chanceler chavista, Jorge Arreaza, que viajou a Lima para participar da posse de Castillo, Béjar afirmou que os dois países deveriam trabalhar juntos para atender a grande comunidade de venezuelanos presente no Peru, que é de quase 1 milhão de pessoas.


Evita opinar sobre Maduro

Perguntado sobre se considera a Venezuela como uma ditadura, o ministro peruano preferiu não emitir uma opinião e lembrou que seu dever como chanceler é "melhorar as relações com a Venezuela, assim como com a Colômbia, o Chile, o Brasil e todos os países da região".

"Nossa preocupação é que os direitos das pessoas marginalizadas sejam respeitados não apenas na Venezuela, mas no Peru e em muitos outros países, e que o nível de bem-estar social melhore", acrescentou.


Minimiza protestos em Cuba

Em relação aos recentes protestos em Cuba, Béjar comentou que "em todos os países há pessoas nas ruas" e lembrou a manifestação convocada no domingo, em Lima, por setores de direita contra o governo nomeado por Castillo.

"As condições são diferentes, mas cada país tem seus próprios problemas internos. Não temos motivos para interferir nos assuntos internos", frisou.

"Nossa política é a defesa dos direitos humanos. Somos contra a repressão no Peru e em todos os países. Nossa política tem que ser democrática. Deve haver diálogo, e não confronto. Desejamos o diálogo entre os povos, e não o confronto ou políticas de confronto", concluiu.

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