Inflação na Venezuela: bolívar perde 6 zeros e ditadura de Maduro anuncia moeda digital



Valores serão divididos por um milhão para que uma nova série de cédulas entre em vigor

O governo venezuelano decidiu cortar seis zeros do bolívar, moeda oficial do país, e disponibilizar sua versão digital. Na prática, os valores serão divididos por 1 milhão e haverá uma nova série de cédulas (5, 10, 20, 50 e 100 bolívares), além da moeda de 1.

“A partir de 1º de outubro de 2021, o bolívar digital entrará em vigor, aplicando-se uma escala monetária que elimina seis zeros à moeda nacional”, informou o Banco Central da Venezuela em comunicado. “Ou seja, todo o valor monetário e tudo o que for expresso em moeda nacional, serão divididos entre um milhão”.

A primeira reconversão foi realizada em 2008 pelo antecessor de Maduro, o então presidente Hugo Chávez. É a terceira vez que a medida é adotada, totalizando a subtração de 14 zeros do bolívar. Devido à instabilidade local, é comum que as negociações do dia a dia ocorram com base em preços marcados em dólares americanos.

O economista César Aristimuño, diretor de uma consultoria com sede em Caracas, disse à AFP que a decisão era esperada. “Os processos de faturamento e os processos contábeis das empresas já eram praticamente impossíveis”, argumentou.

Reconversão não resolve a hiperinflação

De acordo com o Observatório Venezuelano de Finanças (OVF), a inflação acumula alta de 2.616% nos últimos 12 meses no país.

“A reconversão não acabou com a hiperinflação, ao contrário, acelerou, aprofundou a destruição do bolívar”, disse Ángel Alvarado, ex-deputado e membro do OVF.

Para Marisela López, vendedora de hortaliças no mercado de Catia, zona popular a oeste de Caracas, não haverá mudança. “Vamos ficar no mesmo”, afirmou “Sobem os zeros, baixam os zeros, é como um jogo, mas a atividade da economia continua igual”.

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