‘Veremos um choque entre o castrochavismo e a democracia’, diz ex-ministro boliviano sobre Lula x Bolsonaro



Em entrevista a Oeste, Carlos Sánchez Berzaín afirma que, por mais que se critique o presidente brasileiro, caberá a ele enfrentar o representante do Foro de São Paulo na disputa de 2022

Na entrevista que concedeu a Oeste sobre a dramática situação política na Bolívia (clique aqui para ler a reportagem completa), o ex-ministro Carlos Sánchez Berzaín, exilado político nos Estados Unidos desde 2003, afirmou que o petista Luiz Inácio Lula da Silva, que recuperou seus direitos políticos no Supremo Tribunal Federal (STF) e poderá disputar as eleições presidenciais em 2022, é o representante do “castrochavismo” no Brasil. O termo é uma referência à plataforma defendida pelo Foro de São Paulo e pelas ditaduras de Cuba e da Venezuela.

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Berzaín, hoje com 61 anos, comandou os ministérios da Presidência (1993-94 e 2002-03), do Governo (1994-96 e 1997) e da Defesa (2003) durante os governos do ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada (1993-97 e 2002-03). “Lula começou sendo um dirigente de esquerda e hoje é o representante mais importante do ‘castrochavismo’ no Brasil. A Lava Jato é a prova disso”, afirmou o ex-ministro boliviano.

Berzaín lembra que a operação que levou Lula para a cadeia no Brasil também rendeu frutos em outros países da região. “A Lava Jato é a figura criminal mais importante e extraordinária [dos últimos anos] e ajudou a revelar o [funcionamento do] castrochavismo e do socialismo do século 21. [A corrupção ocorreu] Com base no poder político de Castro e Chávez em Cuba e Venezuela, com o dinheiro federal brasileiro nos governos de Lula. Trata-se, basicamente, de empréstimos feitos pelo Brasil a países amigos para que construíssem obras com empresas brasileiras”, analisa Berzaín.

Segundo o ex-ministro, o conglomerado de empresas era liderado pela Odebrecht. “Com o mecanismo de que os governos davam os créditos, as empresas faziam as obras e o governo do Brasil entregava o dinheiro às companhias brasileiras, nunca a um governo do exterior. Essas empresas, lideradas pela Odebrecht, distribuíam o butim por meio de sobrepreços ou simplesmente obras contratadas e nunca construídas. […] Em Cuba, um dos maiores escândalos envolve o Porto de Mariel. Está documentado um sobrepreço de quase US$ 700 milhões. Na Venezuela, há uma quantidade enorme de obras que foram pagas e nem sequer começaram a ser construídas. A Lava Jato no Equador começou a revelar escândalos. Houve uma sentença de oito anos de cárcere contra o ex-ditador Rafael Correa. Na Bolívia, a Lava Jato não existe porque não há condições de haver uma Justiça independente. No Peru, a Lava Jato colocou na cadeia vários ex-presidentes e seus cúmplices”, destaca.

A possível candidatura de Lula em 2022, de acordo com Berzaín, atenderia aos interesses do chamado “castrochavismo”. “No Brasil, veremos um choque entre o castrochavismo e a democracia. O castrochavismo seguramente será representado por Lula, que acaba de ser objeto de um benefício de impunidade. Quem duvida no mundo que este foi um governo corrupto? [Lula] Confronta-se com outro candidato, que eventualmente poderá ser [o presidente Jair] Bolsonaro. Em que pesem todos os qualificativos que se possa dar a ele [Bolsonaro], o fato é que representará a opção da democracia no Brasil”, afirma Berzaín.

O ex-ministro boliviano acredita que Lula se corrompeu no poder. “Ele começou sendo um dirigente da classe trabalhadora, depois foi um dirigente de esquerda e fundou o Partido dos Trabalhadores, mas no momento em que o PT apoiou a criação do Foro de São Paulo, que se converte no principal instrumento criminal de desestabilização das democracias na região, manejando recursos e projetos de golpes de Estado como o que se está produzindo neste momento na Colômbia [palco de uma série de manifestações violentas da esquerda], percebe-se que a confrontação não é esquerda versus direita”, aponta. “Castrochavismo é crime organizado, não é política. A confrontação é ditadura versus democracia.”

Berzaín compara a situação vivida pela Bolívia com o regime do ditador Nicolás Maduro na Venezuela. “A Bolívia é um Narcoestado, como Cuba, Nicarágua e Venezuela. No sistema que foi montado, o narcotráfico, o terrorismo, a conspiração e a corrupção são parte integrante de como esse grupo maneja suas operações encoberto pela política”, conclui.


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