Pesquisadores criticam falta de dados da vacina chinesa CoronaVac e calculam eficácia menor que a divulgada


Percentual seria de 64%, apontam

Dados ainda não foram detalhados

Pesquisadores e cientistas têm questionado os dados de eficácia da CoronaVac, vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

Em entrevista concedida nessa 5ª feira (7.jan.2020), o governo do Estado de São Paulo afirmou que a vacina reduz em 78% o risco de contrair casos leves de covid-19.

O imunizante, segundo a gestão de João Doria (PSDB), preveniu totalmente mortes pela doença e foi 100% bem-sucedido ao impedir que os infectados desenvolvessem casos graves e moderados da covid-19.

Na apresentação exibida durante o anúncio, o governo paulista afirmou que os dados representam “a prova mais dura no mundo para uma vacina contra a covid-19 e o estudo mais detalhado já apresentado”. Eis a íntegra (517 KB).

O número exato de casos de covid-19 registrados em cada grupo de voluntários (os que tomaram a CoronaVac e os que tomaram placebo), no entanto, não foi informado na apresentação inicial feita à imprensa.

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O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou durante o anúncio de 5ª feira que foram 218 casos de infecção pela covid-19 entre os voluntários, sendo “cerca de 160” no grupo que recebeu o placebo e “pouco menos de 60” entre os vacinados.

A falta de informações detalhadas foi criticada por pesquisadores e epidemiologistas nas redes sociais.

O professor Stefano de Leo, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), afirmou ao Poder360 que é possível calcular a eficácia global a partir dos números apresentados, considerando-se que metade dos voluntários tenha tomado o placebo, o que, segundo o pesquisador, “é provável” que tenha ocorrido.

De acordo com ele, neste caso, a eficácia é calculada a partir de uma equação em que se subtrai de 1 a razão entre o número de pessoas infectadas que tomaram vacina e o número de pessoas infectadas que tomaram o placebo. O resultado é multiplicado por 100.

Dessa forma, utilizando as estatísticas citadas por Covas durante a entrevista no Instituto Butantan, a eficácia global da CoronaVac seria de 63,75%, mais de 14 pontos percentuais abaixo da eficácia de 78% apresentada pelo governo paulista.

A eficácia global da vacina, que considera todo o grupo de voluntários infectados, independentemente da necessidade de assistência médica, não foi divulgada pelo governo paulista.

É esse dado que vem sendo utilizado na divulgação do resultados dos testes de outras vacinas contra a covid-19. Até o momento, já foram divulgadas as taxas da Pfizer-BioNTech (95%;), da Moderna (94,5%), da Sputnik V (91,4%), da Oxford-AstraZeneca (até 90%), e da Sinopharm-Pequim (79,34%).

“A comunicação feita foi um pouco confusa e pode criar até o efeito contrário, isto é, gerar desconfiança”, afirmou o pesquisador da Unicamp.

O governo paulista também não deixou claro quais os sintomas das pessoas que desenvolveram a doença. Nem detalhou informações como idade, sexo ou se os infectados já tinham comorbidades.

FONTE: PODER360.COM.BR

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