No Amazonas Médica se nega a assinar óbito sem ver o corpo e é demitida

Profissional denunciou perseguição da prefeitura de Manaquiri, no Amazonas.

Uma médica que atuava na cidade de Manaquiri, no Amazonas, foi demitida após se recusar a assinar um atestado de óbito sem ver o corpo. Em seu relato, a médica comunitária Maria Conceição Saraiva da Silva, que trabalhava na cidade pelo programa Mais Médicos, denunciou que sua demissão aconteceu porque ela se negou a seguir ordens da irmã do prefeito Jair Souto, a secretária de saúde Maria Luíza Souto.

– Tudo começou quando me pediram para assinar um atestado de óbito sem que eu pudesse ver e atestar a morte, o que é ilegal, e eu me recusei. Desse momento em diante teve início uma série de perseguições e boicotes – escreveu a médica em suas redes.


Maria conta que após esse episódio, se tornou alvo de perseguições, como ser transferida de local de trabalho, ter receitas médicas adulteradas por enfermeiras e até mesmo ter a folha de ponto alterada de forma que ela fosse prejudicada.

– Às vezes que tive que ir fazer atendimento nas comunidades ribeirinhas me mandaram em botes sem o mínimo de condições, sem colete salva vidas, correndo perigo, sem toldo e no sol quente – afirmou.
Apesar disso, o que colocou fim em sua atuação em Manaquiri foi uma série de erros burocráticos que culminaram em seu afastamento pelo governo.

– Estive nas últimas semanas em quarentena, obedecendo o que determinava um atestado médico que recomendava isolamento, por conta do meu filho que mora comigo ter ficado doente com suspeita de contaminação por Covid-19 e eu ter tido contato direto com ele. Os atestados foram enviados imediatamente tanto para a Secretaria de Saúde quanto para o Mais Médicos – declarou.

Ao retornar ao trabalho, ela soube de sua demissão.

– Já encaminhei para o Mais Médicos os comprovantes da entrega dos atestados para a senhora Maria Luíza Souto, secretária de Saúde, tão logo soube que deveria me isolar. […] Além disso, aconteceram muitas outras situações que não valem nem a pena serem relatadas, e todas elas me forçaram a deixar Manaquiri na manhã desta quinta-feira, dia 14 de maio de 2020 – disse a médica.



A médica encerra o texto afirmando que aguarda um posicionamento do Ministério da Saúde sobre em qual cidade irá atuar. Ela também agradece ao povo de Manaquiri.

– Por fim, quero dizer ao povo desse município que aprendi a amar sobre a minha gratidão por cada gesto de carinho, cada sorriso, cada olhar que carregarei comigo em meu coração para sempre. Se cuidem – escreveu.

Em nota, a Prefeitura de Manaquiri afirma que a médica não justificou sua ausência e que os médicos do programa Mais Médicos são contratados pelo governo federal e não pelas prefeituras. Já sobre as denúncias, a prefeitura afirmou que registrou um boletim de ocorrência contra a médica e que irá também abrir um processo judicial contra a mesma.


Fonte: PLENO.NEWS

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