MP do Rio diz que porteiro mentiu ao citar Bolsonaro em caso Marielle Franco

Planilhas e áudios obtidos pela investigação mostram que porteiro deu informações falsas sobre o presidente.

A promotora Simone Sibilio, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), afirmou, na tarde desta quarta-feira (30), que o porteiro que citou o presidente Jair Bolsonaro (PSL) em seu depoimento no processo que investiga o assassinato da vereadora Mariele Franco deu uma informação falsa.

Uma reportagem exibida ontem pelo Jornal Nacional, da TV Globo, trouxe informações sobre o depoimento de um porteiro do condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, onde o presidente tem casa no Rio e também mora Ronnie Lessa, o principal suspeito de matar a parlamentar.


De acordo com o depoimento do porteiro citado pelo telejornal, no dia do assassinato de Marielle, o ex-policial militar Élcio Queiroz, suspeito de envolvimento no caso, disse à portaria do condomínio que iria à casa de Bolsonaro, na época deputado federal.
O porteiro disse que ligou à casa do então parlamentar e foi atendido por um homem com a mesma voz de Bolsonaro, que teria autorizado a entrada. Élcio Queiroz, porém, foi a outra casa dentro do condomínio: a de Ronnie Lessa.

As promotoras do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) explicaram que planilhas e áudios obtidos pela investigação comprovam o contrário, que o próprio Lessa autorizou a entrada de Élcio.

“(O porteiro) mentiu. Pode ser por vários motivos. E esses motivos serão apurados. O fato é que as ligações comprovam que quem autorizou foi Ronnie Lessa”, afirmou Sibilio a jornalistas. O caso estava em sigilo.


Mas o vazamento de informações e o fato de os réus presos já terem prestado depoimento, disseram as promotoras, fizeram com que as informações fossem tornadas públicas.

A investigadora disse que os motivos das informações falsas serão apurados. “Todas as pessoas que prestam falso testemunho podem ser processadas”, disse a promotora Sibilio.

As manifestações da promotora ocorrem após o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, publicar vídeo, segundo ele gravado na administração do condomínio, mostrando áudios do que seriam comunicações da portaria às residências do parlamentar e de seu pai na data da morte de Marielle (14 de março de 2018).

Às 17h, foi feita uma solicitação de entrada por uma pessoa de nome Élcio, mas para a casa de Ronnie Lessa — e não à de Bolsonaro, como teria dito o porteiro. Além disso, o atual presidente estava em Brasília na data do ocorrido.

Arquivado
O procurador-geral da República, Augusto Aras, recebeu e arquivou informações que tratavam do nome de Bolsonaro no caso. O procurador entendeu que não há fundamento nas referências e, por isso, decidiu pelo imediato arquivamento do caso.

Aras acolheu a um pedido do ministro da Justiça, Sérgio Moro, e passou para o MP-RJ para investigar supostas irregularidades no depoimento do porteiro. O procurador classificou o episódio como um “factoide”.

Fonte: Infomoney.com

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