Vídeo mostra professora forçando menino a passar batom em escola?

Segundo sentença judicial, professora esfregou cápsula de Ômega 3 no rosto da criança e disse que era catarro. Boato circula no Facebook há uma semana.

Voltou a circular no Facebook na última semana um boato criado em 2016, segundo o qual três professoras tentaram passar batom na boca de um menino, que relutou e foi maltratado por elas. A informação, falsa, é “comprovada” por um vídeo, que mostra uma das professoras segurando a criança pela mão, enquanto outra tenta passar algo no rosto do garoto.

A postagem na rede social, que atribui a atitude das professoras à “maldita ideologia de gênero”, foi feita pela página Rio Conservador. O vídeo já foi assistido cerca de 2,5 milhões de vezes e compartilhado outras 66.237 vezes:

O vídeo mostra um dos casos de maus-tratos de professoras do colégio Ipê Centro Educacional, em Águas Claras (DF), contra alunos. As imagens foram feitas por uma funcionária da escola e vieram à tona em junho de 2015. Com base neste vídeo, a mãe do menino entrou com uma ação na Justiça contra o colégio, que foi condenado a pagar 30.000 reais por danos morais no início de setembro.

Não é possível, pelas imagens, enxergar com clareza o que a professora levou à boca do aluno. Conforme a sentença da 3ª Vara Cível de Taguatinga (DF), no entanto, ela esfregou no rosto dele uma cápsula de Ômega 3 e disse que se tratava de catarro. “A conduta repugnante das prepostas da ré em esfregar um líquido com forte cheiro de peixe no rosto do menor, de forma a simular que aquilo seria ‘catarro’ restou amplamente demonstrada não só pelos vídeos trazidos aos autos como também pelo depoimento da testemunha”, afirma a decisão.

Este boato já havia circulado por redes sociais em maio de 2016. Naquela ocasião, o texto que acompanhava o vídeo dos maus-tratos no colégio Ipê Centro Educacional era “professora feminista, adepta da ideologia de gênero, tenta violentamente passar batom em aluno. Veja a reação do garoto. O que precisa acontecer com essa ‘professora’?”.

A atual descrição do vídeo, assim como a anterior, portanto, não passa de mais um boato criado por detratores da chamada “ideologia de gênero”.

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