Aids cresce entre homens gays; Brasil é um dos países com mais casos novos

Quinze países concentraram 75% dos novos contágios, afirma agência da ONU.O número de contágios do vírus do HIV entre homens homossexuais está crescendo no mundo todo, uma tendência mundial que deveria está alertando especialistas sobre a capacidade de controlar a epidemia.
No continente americano, cerca de 70% das mortes por aids ocorreram entre gays. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, os homossexuais masculinos têm até 30 vezes mais riscos de contrair o HIV.

“Há uma tendência global que é o crescimento da epidemia entre os gays, entre homens que têm relações sexuais com outros homens. Está acontecendo em todas as regiões, sem exceção”, afirmou em entrevista à Agência Efe Luiz Loures, diretor-executivo adjunto da Unaids, a agência das Nações Unidas que luta contra a doença.
Os fatores para que isso aconteça são muitas e inter-relacionadas. Cada vez mais os homens têm relações sexuais sem proteção, “porque a nova geração não viveu a epidemia dos anos 80”.
No entanto, o tratamento com antirretrovirais existe e funciona, o que frequentemente reduz o medo da morte após o contágio da doença.
“Há certa complacência com a doença, o que é muito perigoso porque ela pode ser mortal”, alertou Loures.
Outro aspecto que leva ao aumento de casos é o fato de que, segundo alguns estudos, 60% dos encontros sexuais acontecem após algum contato na internet.
“Devemos desenvolver a formas de se prevenir nesses ‘dating sites'”, assumiu Loures, dizendo que por enquanto pouco se avançou nesse processo.
Outro problema ligado à prevenção é o fato de que na comunidade gay é comum os homens terem muitos parceiros.
O diretor-executivo adjunto da Unaids participou hoje da apresentação em Genebra do relatório anual da instituição, que destaca que em geral os contágios diminuíram. Em 2013 entre 1,9 milhão e 2,4 milhões de pessoas contraíram o vírus.
Quinze países concentraram 75% dos novos contágios: Brasil, Camarões, China, Estados Unidos, Índia, Indonésia, Quênia, Moçambique, Nigéria, Rússia, África do Sul, Tanzânia, Uganda, Zâmbia e Zimbábue.
Os contágios pelo vírus diminuíram em 38% em 2013 em relação a 2001. A queda foi ainda maior entre a população menor de idade: 58%.
Em 2013, cerca de 240 mil crianças se infectaram com o vírus, em comparação aos 580 mil que o contraíram em 2001.
A má notícia é em relação ao acesso ao tratamento. O relatório destaca que enquanto 38% dos adultos recebe tratamento antirretroviral, apenas 24% das crianças têm acesso a ele.
“Os tratamentos atuais não são adequados para crianças. A quantidade, o sabor, o tipo. É muito difícil conseguir que as crianças tomem o coquetel”, explicou Mariângela Simão, Diretora do Departamento de Gênero, Direitos e Prevenção da Unaids.
“Estamos trabalhando para desenvolver novos tratamentos mais adequados para crianças, mas é difícil, porque quanto mais diminuem os contágios de crianças, menos interesse as farmacêuticas têm em desenvolver um produto para um mercado que diminui”, acrescentou Simão.
A respeito da população geral, em 2013 cerca de 12,9 milhões de pessoas puderam ter acesso aos antirretrovirais, o que representa 37% (entre 35 e 39%) de todas as pessoas que convivem com o vírus.
Em relação aos óbitos, desde o pico registrado em 2005, caíram 35%. No ano passado, 1,5 milhão de pessoas morreu por causas relacionadas à aids em comparação com 2,4 milhões em 2005.
Atualmente, entre 33,2 e 37,2 milhões de pessoas sobrevivem infectados com a doença.
No entanto, a Unaids estima que 19 milhões dos 35 milhões de pessoas que vivem com o vírus desconhecem que são soropositivas.
“Se for acelerada a luta de agora até 2020 poderemos avançar rumo ao fim da epidemia em 2030. Caso contrário, nos arriscamos a prolongar uma década ou mais”.

Desde o início da epidemia, cerca de 78 milhões de pessoas se infectaram com o vírus e aproximadamente 39 milhões morreram por causa da doença.

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