Em 2001 a Venezuela era o país mais rico da América do Sul até se instalar o socialismo, hoje é o mais pobre


Todas as manhãs, uma fila, com centenas de pessoas desamparadas, se forma no lado de fora do sombrio quartel general da SAIME, a agência de passaportes da Venezuela.

Como a escassez e a violência tornaram a vida no país menos tolerável, mais pessoas estão solicitando passaportes para que possam ir para outro lugar. A maioria voltará para casa. O governo ficou sem plástico para laminar os novos passaportes em setembro de 2016. “Acabam de me dizer que talvez seja preciso esperar oito meses!”, disse Martín, um candidato frustrado. Um suborno de US $ 250 encurtaria a espera.

O desespero aumenta à medida que a intransigência do regime “bolivariano” venezuelano, cujas políticas arruinaram a economia e sabotaram a democracia, recrudesce. A economia recuou 18,6% no ano passado, de acordo com uma estimativa do banco central, divulgada à Agência Reuters, a inflação subiu assustadores 3.365% entre março de 2019 e 2020, fechando o ano passado com impacto de 2.959,8% nos preços.

São valores provisórios, sujeitos a revisão, que podem nunca ser publicados (o banco central deixou de relatar dados econômicos completos há mais de um ano). 

A estimativa de inflação é próxima a do FMI, que prevê que os preços ao consumidor aumentem mais de 3.000% este ano.

A Economist Intelligence Unit, uma empresa do grupo do The Economist, coloca a contração econômica do ano passado em 13,7%. Isso é pior do que o auge da crise na Grécia.

O ditador venezuelano, Nicolás Maduro, respondeu a má notícia com chavões (ele culpa mafias estrangeiras e domésticas) e negação.

Pouco depois do vazamento das estimativas do banco central, ele demitiu seu presidente, Nelson Merentes. Maduro pode tê-lo considerado responsável pelo vazamento, ou pode tê-lo punido por uma tentativa frustrada do governo, em dezembro, de introduzir novas cédulas de moeda.

Uma nova emissão de cédulas faz sentido, uma vez que a nota de 100 bolívares, o maior valor, vale menos de três centavos no mercado negro.

Os comerciantes, às vezes, os pesam em vez de contá-los, as notas deverão ser substituídas por um novo conjunto de cédulas no valor de até 20.000 bolívares.

A razão declarada pelo governo para fazer a mudança – punir as pessoas que guardam as notas – não faz sentido. Quem guardaria a moeda mais depreciativa do mundo? Sua execução foi tragicômica.
Depois que os venezuelanos haviam ficado na fila, há dias, para trocar suas notas, antes que perdessem mais ainda seu valor nominal, as substituições não aconteceram. O caos se instalou quando os venezuelanos retornaram aos bancos para retirar notas de 100 bolívares.  

A mudança do banco central não pressagia políticas melhores, Ricardo Sanguino, o novo presidente, é um ex-professor universitário marxista que passou 15 anos como um parlamentar leal ao partido socialista dominante.

Ele terá menos influência do que Ramón Lobo, o recém-nomeado czar da economia, um economista com pouca experiência de alto nível.
É improvável que lidem com as causas da penúria da Venezuela. Estas incluem controles sobre câmbio e preços de bens básicos, que levam à escassez e corrupção; gastos públicos irrestritos; expropriação da indústria privada; e, a pilhagem da PDVSA, empresa estatal de petróleo, que fornece quase todas as receitas de exportação da Venezuela.

Os cidadãos comuns da Venezuela perderam a fé no regime, se não no chavismo, o populismo pró-pobre defendido pelo falecido Hugo Chávez, que governou de 1999 a 2013. Maduro, seu sucessor, tem um índice de aprovação de 24% mostra pesquisas fraudadas. Em dezembro de 2015, os venezuelanos elegeram um parlamento dominado pela oposição.

A resposta de Maduro foi a de se agarrar ao poder com mais força, a comissão eleitoral, controlada pelo regime, bloqueou um referendo para tirá-lo do cargo.
O tribunal supremo, governado por leais ao governo, bloqueou quase tudo o que a assembléia nacional tentou fazer.

O regime diz que quer o diálogo com a oposição, mas fez pouco para capacitá-lo. As conversações mediadas pelo Vaticano e pela Unasur, um órgão regional, acabaram em dezembro, depois que a oposição acusou o governo de quebrar as promessas, inclusive para libertar os prisioneiros políticos e restaurar os poderes ao parlamento.

A recente nomeação de Maduro, de um novo vice-presidente, sugere que o regime está se afastando do diálogo e da reforma.

Substituiu Aristóbulo Istúriz, um moderado pelos padrões chavistas, por Tareck El Aissami, um linha dura.

Um dos primeiros atos de El Aissami foi anunciar a prisão de Gilber Caro, um político da oposição. O governo afirma que ele tinha um rifle de assalto e explosivos em seu carro, seu partido diz que as armas foram plantadas.

Maduro parece estar fazendo duas apostas, a primeira é a desordem entre a oposição. As divisões dentro da aliança democrática da unidade, um agrupamento de muitos partidos, estão alargando, enquanto seus esforços para derrotar o chavismo vacilam. Falta-lhe um líder capaz de atrair os venezuelanos pobres, que se sentem traídos pelas promessas vazias do regime.

Trata-se do oitavo ano de recessão no país; a inflação em 2020 teve impacto de 2.959,8% nos preços

Cada vez mais isolada em termos políticos e econômicos, e consequentemente entrando no seu oitavo ano consecutivo de recessão, a Venezuela tem 96,2% de sua população vivendo na pobreza e 79,3% estão em situação extrema. Segundo o Banco Mundial, situação de extrema pobreza significa viver com menos de US$ 1,90 por dia.

Os dados são da Pesquisa Nacional de Condições de Vida (Encovi) 2019-2020, realizada pelo Instituto de Investigações Econômicas e Sociais da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Católica Andrés Bello (IIES-UCAB).

O estudo aponta que, para chegar a este quadro, uma série de fatores foram se deteriorando no país vizinho durante os últimos anos. O PIB, por exemplo, caiu 70% entre 2013 e 2019. Já a inflação subiu assustadores 3.365% entre março de 2019 e 2020, fechando o ano passado com impacto de 2.959,8% nos preços.

Com isso, o salário mínimo, frequentemente ajustado pelo governo, não é suficiente para garantir a subsistência da população. Em maio, o rendimento mínimo saltou 300%, para 10 milhões de bolívares venezuelanos.

Isso dá pouco mais de US$ 3, o que, segundo o Cenda (Centro de Documentação e Análise para os Trabalhadores), não cobre 1% dos gastos com uma cesta básica. Muito por conta disso, 79,3% da população não consegue arcar com o cabaz.

A pesquisa mostra ainda que, entre os mais pobres, apenas 12% têm acesso à internet, 13% utilizam telefonia fixa, 17% têm computadores à disposição e 44% possuem máquina de lavar roupa.

Os programas de transferência de renda do governo, que buscam atenuar o problema, representam 25% da renda das famílias venezuelanas. Mesmo assim, só conseguiram reduzir a pobreza extrema em 1,5%.

2 comentários:

  1. Que tristeza..pobre povo que caiu na lábia do doce do socialismo, doce na boca, mas. amargo no estomago.

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  2. Isso só acontece quando na maioria as pessoas querem receber e viver sem trabalhar , que o governo coloque comida em suas casas sem os mesmos tenham que trabalhar , veja aqui no Brasil, se não abrimos os olhos , seríamos a próxima Venezuela , pelos bolsas e bolsas e bolsos cheios dos políticos sem caráter ! Eles dão aos pobres e tiram grandes quantias para si , NAO AO SOCIALISMO

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